Contextualização
Os pressupostos conceptuais subjacentes ao funcionamento dos CRI operacionalizam-se através de uma prestação de serviços orientada pelos seguintes princípios estruturantes:
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Serviço de proximidade: constitui-se como um serviço da comunidade, para a comunidade e com a comunidade, que facilita a manutenção da rede social de apoio ou a construção de uma nova rede na área de residência.
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Serviço de retaguarda: funciona como uma estrutura de retaguarda que detém um conhecimento abrangente sobre as várias questões que se colocam em casos de deficiência e incapacidade, bem como sobre os recursos regulares e especializados existentes. Para responder às necessidades identificadas, mobiliza os seus próprios recursos e, se necessário, outros recursos da comunidade que se revelem imprescindíveis ao desenvolvimento de um trabalho em rede e em parceria.
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Intervenção nas pessoas e nos contextos: considerando a funcionalidade e a incapacidade como resultado da interação entre a pessoa e o contexto, a intervenção do CRI realiza-se no sentido de promover a compatibilidade pessoa/contexto, desenvolvendo-se nestes dois domínios.
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Trabalho em parceria: o funcionamento do CRI assenta na lógica do trabalho em parceria com os agrupamentos de escola.
Com base nos pressupostos anteriormente referidos, o CRI da CERCIGUI apresentou ao Agrupamento de Escolas de Briteiros, seu parceiro, um projeto de promoção da acessibilidade cognitiva nas escolas que o constituem. Tratou-se de um projeto piloto, cujo objetivo seria a sua implementação nos restantes agrupamentos de escolas dos concelhos de Guimarães e Vizela.
O presente Projeto enquadra-se nos seguintes objetivos:
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Proporcionar a igualdade de oportunidades;
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Motivar os alunos para a aprendizagem e aquisição de saberes e competências.
Neste seguimento, constitui uma resposta aos objetivos gerais do centro de apoio à aprendizagem, em colaboração com os demais serviços e estruturas da escola:
a) Apoiar a inclusão das crianças e jovens no grupo/turma e nas rotinas e atividades da escola, designadamente através da diversificação de estratégias de acesso ao currículo;
b) Promover e apoiar o acesso à formação, ao ensino secundário e à integração na vida pós-escolar;
c) Promover e apoiar o acesso ao lazer, à participação social e à vida autónoma.
Segundo Costa (2000), o modelo curricular funcional baseia-se na análise dos ambientes de vida da criança e nas competências necessárias ao seu funcionamento, visando torná-la o mais autónoma possível nesses contextos. Tudo se centra — validade ecológica — na análise das características dos ambientes naturais em que a criança/jovem se insere e nas competências que necessita desenvolver para aí funcionar com a máxima autonomia. Nesta perspetiva curricular funcional, o programa educativo do aluno pode abranger conteúdos do currículo regular, interligados com competências específicas, que podem ser trabalhados em qualquer contexto educativo (Clark, 1994, citado por Costa et al., 1996). Esta abordagem, com raízes na obra de Dewey e de pedagogos como Ferrière, Claparède e Freinet, defende que as estratégias curriculares devem promover o desenvolvimento de competências com significado e úteis para a formação pessoal e social, capacitando os alunos para uma vida plena e integrada na sociedade (Costa et al., 1996).
Os currículos funcionais (CF) facilitam o desenvolvimento de competências fundamentais para a participação dos alunos com Necessidade de Mobilização de Medidas de Suporte à Aprendizagem e Inclusão em diversos ambientes, preparando-os para responder, de forma tão autónoma quanto possível, às necessidades e aos desafios atuais e futuros. Visam, ainda, o desenvolvimento pessoal e social, as áreas de adaptação ocupacional e as atividades de vida diária.
Neste sentido, e com o objetivo de promover a autonomia e a funcionalidade — especialmente dos alunos —, revela-se benéfico melhorar a acessibilidade comunicativa e cognitiva nos agrupamentos de escolas, facilitando a utilização autónoma dos espaços escolares por toda a comunidade educativa.
No quotidiano, encontramos pessoas que, por diferentes motivos (e.g., Perturbações do Espetro do Autismo, dificuldades intelectuais ou falantes de português língua não materna), apresentam graves dificuldades de comunicação, o que dificulta a sua plena inclusão na sociedade e nos diferentes contextos da vida quotidiana. No caso das pessoas com dificuldades de comunicação, as barreiras cognitivas impostas pela interação com o ambiente não se devem apenas à dificuldade de compreensão das informações, mas também à orientação temporal e à antecipação do que irá acontecer naquele meio.
Para a maioria das crianças, jovens e adultos com estas dificuldades, a comunicação é um desafio que pode ser facilitado com recurso a apoio visual. A utilização de ajudas visuais, nomeadamente pictogramas, permite-lhes aceder e orientar-se mais facilmente no seu ambiente e comunicar com as outras pessoas. Os pictogramas são usados para facilitar e aumentar a acessibilidade cognitiva, permitindo que os indivíduos participem nas suas comunidades de forma mais funcional e autónoma.




